por André do Val
16 de novembro de 2022
Na terceira participação no SPFW, Soul Básico fala sobre conceito Sentimento Oceânico, descrito pela primeira vez em 1927 em uma carta de Romain Rolland a Sigmund Freud. Trata-se, em resumo, do sentir-se eterno, sem limites perceptíveis, infinito. Segundo a teoria, essa integração universal é nada mais do que uma ideia de pertencimento, em que não há separação entre o eu e o outro: apenas o todo, do qual nada pode ser separado.
A proposta da Soul Básico para essa temporada é mais versátil do que essa ideia inicial, num equilíbrio refinado de conceitual e comercial, de natural e sintético, que resulta não em uma moda única, mas multifacetada. Na abertura, uma série de camisas recortadas de linho, com pontas soltas, formas amplas e às vezes amarradas como camisolas cirúrgicas. O branco segue nos conjuntos de calça e camisa ou jaqueta, finalizados com cordão de palha na cintura segurando um cristal e com tênis branco de solado baixo e meia alta (como tem se usado nas ruas). Todos modelos com maquiagem e cabelo com efeito molhado pra reforçar o sentimento oceânico.
Depois entram os pretos, também com formas assimétricas, mas em tecidos mais grossos, como algodão, mesh e neoprene. E a mesma ideia se repetiu em marrons e beges estampados com traços finos de azul que pareciam desenhos topográficos. Por fim, os looks prateados (esse recurso deve aparecer bastante nessa temporada de desfiles) e jeans sem lavagem, como na calça de cinturas sobrepostas da entrada final. Além do efeito de passarela, tem várias opções de camisetas e bermudas para fazer o básico renovado e com alma que o estilista Zeh Henrique defende como sua assinatura criativa.