por André do Val
7 de abril de 2025
Uma das características de Alexandre Herchcovitch como estilista é sempre trazer uma novidade na passarela. Ele também é muito bom em mostrar releituras do próprio trabalho. Para o segundo desfile da marca Herchcovitch;Alexandre, da qual retomou recentemente o controle novamente por meio de um acordo de licenciamento com o grupo InBrands, ele levou os convidados para a casa noturna Blue Space, conhecida pelos show de drag e pista cheia de descamisados.
A novidade dessa estação foram os looks reagentes a luz negra, tanto nos tecidos quanto nos bordados com cristais Swarovski. A cultura clubber tem tudo a ver com a emergência de Herchcovitch nos anos 1990. Mas foi para os anos 1970 que apontavam as silhuetas, fossem dos camisetões e moletons esportivos de rúgbi que davam forma a vestidos, os vestidos longos cortados no viés, os conjuntos com calça de barra ampla. Dá pra situar na mesma década alguns materiais, como o veludo cotelê, os tecidos de decoração e a flanela xadrez de lenhador em cartela de cores com tons de baixa saturação.
Ele trabalha livremente com formas, explorando o comportamento dos tecidos, como os vestidos e ternos com mangas retorcidas, os longos tipo coluna, os bolsos e abotoamentos dos casacos compridos e as faixas com laços aplicadas nas barras e cinturas e pareciam ter sido inspirados em obis.
Mais ligadas aos anos 1990 são as peças com cores fluorescentes, o bloco dos looks pretos que cobria o corpo às vezes tinha recortes vazados, e a nova versão do seu look em látex, dessa vez feito com material extraído de seringueiras da Amazônia. É nesse cruzamento do novo com pilares criativos muito bem definidos que sua moda se destaca no calendário do SPFW e mundo afora.
FICHA TÉCNICA
Fotos: @agfotosite
Vídeo: Protótipo Filme